
Minas Gerais é o estado brasileiro com o maior número de alambiques devidamente registrados (501 estabelecimentos) e também lidera o país em quantidade de marcas cadastradas (3.478).
E dentro do estado, o município que possui o maior número de cachaças registradas — 292 produtos — é Salinas, localizado no Norte de Minas. O município conta ainda com 20 estabelecimentos produtores, ocupando a terceira posição no ranking nacional (dados de 2024).
A chamada “Região Salinas”, que tem o município como núcleo, é reconhecida por sua importância singular, expressando o potencial econômico, social e cultural local. A cachaça de alambique de Salinas, considerada uma autêntica bebida nacional, vem conquistando cada vez mais prestígio e demanda devido à sua qualidade e tradição. Em 2012, a região obteve o registro de Indicação Geográfica, cujo território abrange a totalidade dos municípios de Salinas e Novorizonte, além de partes de Taiobeiras, Rubelita, Santa Cruz de Salinas e Fruta de Leite.
Segundo a base de dados Data SEBRAE, as principais características da produção local são a uniformidade do solo e o clima semiárido. A região apresenta baixa pluviosidade, com média anual de cerca de 700 mm. As chuvas concentram-se entre novembro e março, período ideal para o plantio da cana-de-açúcar.
O uso de diferentes variedades de cana, o fermento orgânico natural, a higiene dos alambiques de cobre e a tradição dos produtores são fatores que, combinados, conferem à cachaça artesanal de Salinas uma qualidade diferenciada.
Foi esse conjunto de atributos que levou as cachaças da região — considerada o verdadeiro “berço da cachaça” no Brasil — a se destacarem na Alimentaria 2026, uma das maiores feiras internacionais de alimentos da Europa, realizada na última semana de março. A informação foi divulgada pela Agência Minas, veículo oficial do Governo de Minas Gerais, em 1º de abril.
A participação ocorreu por meio da Associação dos Produtores de Cachaça Artesanal de Salinas (Apacs), com apoio do programa de incentivo às exportações agropecuárias Agroexporta, da Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa). As cachaças artesanais produzidas em alambiques de cobre foram as que mais chamaram a atenção, mas a diversidade de produtos — como licores e caipirinhas enlatadas — também foi destaque.
A assessora técnica da Seapa, Manoela Teixeira, afirmou que a presença de Minas Gerais na feira reflete a relevância do estado na cadeia produtiva da cachaça:
“Minas Gerais é o estado brasileiro com o maior número de estabelecimentos produtores devidamente registrados, representando cerca de 40% do total nacional. Além disso, é o estado com o maior número de municípios que possuem ao menos um estabelecimento produtor: são 256, o que corresponde a 30% dos municípios mineiros. Em 2025, as exportações de cachaça do estado alcançaram aproximadamente 1,5 milhão de dólares, totalizando cerca de 337 toneladas, o que representa 8,8% das exportações brasileiras do setor.”
(Texto:Massato Asso/Jornalista de cachaça)
